30/04/2017

A alquimia amorosa do verbo e do mar na poesia de Henrique Levy


AMOR NO MAR

o farol onde moras entre
nunca e sempre
dispersa

a ritmo largo a luz
renovada sobre o mar

chega vibrante o brando entardecer de mim em ti

venero o secreto mundo dos teus olhos
as tuas mãos abertas encontram
praias quentes
areias macias proclamam
amor no silêncio do vento

desliza o mar deitado
a teu lado

as ondas cobrem o teu corpo
por ele o riso cresce
despido na alegria das águas
tecendo no tempo a mais longa vaga
de silêncio nos destroços ancorada

a suave volúpia
dos corpos
agita a praia ventosa

levam búzios
trazem rosas

no nosso olhar
os abismos
cantam ao crepúsculo
os lábios húmidos
afogados nos beijos do mar…


Henrique Levy


in Noivos do Mar. Lisboa: Labirinto, 25 de abril de 2017.
Reprod. no perfil oficial do autor no Facebook, 28.04.2017.

04/03/2017

Manuel Neto dos Santos: o constante viandante dos versos e outras artes


Homenagem de Manuel Neto dos Santos a Zeca Afonso, 2013
no Youtube - clique aqui.

A VIDA



Manuel Neto dos Santos
Fotografia in perfil pessoal do poeta no Facebook, 31.08.2016 

Manuel Neto dos Santos nasceu a 21 de janeiro de 1959, em Alcantarilha, Silves (Algarve).
Poeta, declamador, formador de língua portuguesa, ator, artista plástico.
        
***

Concluiu os estudos na Escola Secundária de Silves e chegou a cursar Filosofia na Universidade Clássica de Lisboa. Vive em São Bartolomeu de Messines, em Silves.
Autor prolixo, de vasta obra lírica, tem éditas e inéditas muitas coletâneas poéticas. Estreou-se literariamente, em 1988, com a recolha de poemas O fogo, a luz e a voz, editado pela Associação de poetas do Alentejo e Algarve, não mais deixando de publicar: Atalaia (1989), Trovas de um homem da terra (1991), No país de Amália (1992), Idílios de Al-Buhera (1996), Timbres (1999), Ídola (2002), Versos de redobre: à memoria de  João de Deus (2004), Sulino (2012), Claves do sol e da lua ( 2013), O corpo como nudez (2014), Aurora boreal ao sul (2015), Círculo de fogo (2016) e Passionário (2016).



Da sua produção lírica destaca-se Safra (2011) que constitui uma “antologia poética” que abrange o período de produção de “1988-2008” (com 244 p. e pref. de António Cândido Franco) e a edição trilingue Manuel Neto dos Santos: poemas / poemas / poezii (2016), da coleção “Juego de Espejo”.


Sobre a obra de Manuel Neto dos Santos disse José Varela Pires:
“[...] é um poeta da mais fina impressionabilidade, homem telúrico, possuído de uma nunca extinguível nostalgia da infância, como paraíso mítico, que a todos nos resgata e fascina, e continua como poeta a inquirir-se sobre o mistério da vida, as suas fontes, traduzidas na universalidade das imagens poéticas que gera. Diremos que, na sua poemática, assistimos ao desenvolvimento de uma criação ao mesmo tempo ética e estética, tendente a reconciliar na paz o ser consigo mesmo, encontrando a sua própria expressão na harmonia.” E ainda: “Temo-lo aqui, no Algarve, bem perto de nós, e também por esse Portugal fora, também nos Açores, humilde como nobre, persistente como sentimental, um grande poeta do absoluto e da palavra, celebrando a liturgia do poema, transcendente, poeta de quem se há- de falar muito mais no futuro.” (Biblioteca Municipal de Silves Apresenta ‘O Viandante das Palavras’”, A Voz do Algarve [digital], 22.01.2015).
Como editor literário, coorganizou o volume Poeta é o povo: colectânea de poetas populares do Alentejo e Algarve (Lagoa, 1990). Após leituras e  recolhas que tiveram início em 1994, edita o volume Subsídios para a história da poesia do Algarve: séc. XI-XX (Silves, 2000) cuja compilação de textos remonta ao período da presença árabe no Algarve. Organizou ainda dois volumes da obra  da poetisa Adelina Bárbara Vieira, As letras e as palavras (1991) e Coração analfabeto (1994).
Tem textos breves ou apresentações sobre Raíz de lado nenhum (1992) de Mendes Bota; Raiz perturbada ou a navegação do amor (?) de Miguel Afonso; A guardadora do tesouro e a vara de ouro (1998) de Eduarda Faria da Rosa. Destaca-se o volume biográfico e de estudo do poeta e pedagogo João de Deus [São Bartolomeu de Messines, 1830 - Lisboa, 1896], publicado na celebração do aniversário do nascimento de João de Deus: De Deus a algazarra de silêncios: vida e obra de João de Deus (1996).
Tem representado a poesia algarvia no estrangeiro – por ex., em 1992, esteve em Estrasburgo e Colmar – e tem promovido em Silves, com o poeta inglês Peter Pegnall, o encontro entre poetas lusos e anglófonos. Como declamador de poesia, tem visitado escolas e bibliotecas do Algarve, para além de ter proferido diversas palestras sobre João de Deus.


Dizendo um poema no Dia Mundial da Poesia, 21.03.2013.
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A sua atividade abarcou também  a produção e a apresentação de programas radiofónicos de natureza literária, cujos textos colige em Trovas de um homem da terra (1991). Em 1997, concebeu e apresentou na Rádio Racal “Lendas das Moiras Encantadas” [a Rádio Racal, uma rádio local , é atualmente a Radio Algarve 92.4 FM Silves]. Em 1998, a sua poesia inédita  é divulgada diariamente no programa radiofónico “Roteiros”.
Ainda nesta valorização do dizer poético e do uso de recursos multimédia, o poeta gravou um CD de declamação em 1999, fazendo o seu lançamento na Ilha do Faial, onde os textos foram escritos – Umabel, ou o Anjo da Ilha Azul  (2000).
Integrou como ator o Grupo de Teatro Penedo Grande, de São Bartolomeu de Messines, em Silves, tendo-se destacado, em 1997, no papel de Telmo Pais do drama romântico Frei Luís de Sousa, que representou também no Teatro da Trindade, em Lisboa. Desempenhou vários papéis na peça “O processo do guerrilheiro” de Teodomiro [Cabrita] Neto, estreada a 28 de julho de 1999 no adro da igreja da terra onde está sediado o Grupo, mas que será exibido em itinerância. No mesmo ano, participou na peça de Fonseca Lobo “O pecado de Sofia” (O pecado de Sofia: teatro. Lisboa: Plátano, 1993).
Ainda no âmbito do teatro, escreveu  diversos poemas que serão musicados para o espetáculo dos casinos do Algarve – Alma Algarvia”, em cena durante meses.
Participou na série televisiva da BBC « Sunburn », gravada a partir de 19 de janeiro de 1999 e que acompanhava a vida de um grupo de “holiday reps” (representantes de agências de viagens que prestam assistência aos turistas) britânicos.
Em 1998-99, Manuel Neto dos Santos foi nomeado para o Prémio Primus Inter Pares (Artes e Letras) junto com Lídia Jorge e Casimiro de Brito. Agora, o seu talento inspira outros poetas.
Prémio de Poesia Manuel Neto dos Santos - Arandis Editora
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Como artista plástico, algumas das suas obras surgem nas capas ou como ilustração das suas coletâneas de poesia. As suas capas são geralmente concebidas por artistas e um dos livros mais ilustrativos do diálogo entre Poesia e Arte é o álbum Círculo de fogo (2016), com aguarelas de Fernando Lobo e capa do poeta e de  Fernando Lobo.

A OBRA

Poesia


  • O fogo, a luz e a voz: poemas escolhidos. Lagoa: APPA [Associação dos Poetas Populares do Alentejo e Algarve], 1988. – 171 p.; capa de Mark Vogel.
  • Atalaia: comemorações do 8.º centenário da tomada de Silves aos mouros [sonetos]. Silves: Câmara Municipal, 1989. – 144 p.; capa de Glyn Uzzell. – Aquando do ano das comemorações da tomada da cidade de Silves aos mouros, 1989, publica este volume, no qual o autor encarna a figura do poeta Al’Mutamid, traçando a sua vida e a sua obra.
  • Trovas de um homem da terra. Ed. de autor, 1991. – 170 p.; capa de Rob Small. – Volume que resulta da sua atividade como produtor e apresentador de programas radiofónicos literários.
  • No país de Amália. Lagoa: Tribuna do Algarve, 1992. – 77 p.; capa do autor.
  • Idílios de Al-Buhera: poesia. Il. Maria Francisca Sebastião. Albufeira: Câmara Municipal, 1996. – 45 p.; capa do autor.
  • Timbres: inéditos 1996-1998. [Vila Real de Santo António]: Comunical, 1999. – 175 p.; capa de João Ferreira sobre foto do poeta, de Gerard Byward.
  • Umabel, ou o Anjo da Ilha Azul – C D de declamação sobre obra homónima. Algarve: Ministério da Cultura; Cidade da Horta: Faialentejo –, 2000. – Capa do autor. – O CD é gravado em 1999 e o seu lançamento ocorre na Ilha do Faial, onde a obra foi escrita.
  • Ídola: poesia. Lisboa: Hugin, 2002. – 79 p.; nota biográfica pelo Dr. José Varela Pires.
  • Versos de redobre: à memoria de  João de Deus. Silves: Câmara Municipal, 2004. – 32 p.; capa do autor. – Obra apresentada pelo bisneto de João de Deus, o prof. Dr. António Ponces de Carvalho.
  • Safra: antologia poética, 1988-2008. Pref. António Cândido Franco. S.l.: MNS., 2011. – 244 p.; capa do autor.
  • Sulino. Albufeira: Arandis, 2012. – 80 p.; capa de Fernando Lobo.

    

  • Claves do sol e da lua. Albufeira: Arandis, 2013. – 101 p.; capa do autor e de Fernando Lobo.
  • O corpo como nudez. Pref. Luiz Fagundes Duarte; il. Guy Belhomme. Albufeira: Arandis, abril 2014. – 128 p.; fotografia da capa de Patrícia Vieira; capa de Fernando Lobo.

  • Aurora boreal ao sul [poesia]. Pref. Risoleta C. Pinto Pedro (“Sobre Aurora boreal ao sul, de Manuel Neto dos Santos”, p. 13-18). Albufeira: Arandis, dez. 2015. – 86 p.; capa de Fernando Lobo; foto Vítor Pina.
  • Círculo de fogo. – Aguarelas de Fernando Lobo; pórticos de Jorge Telles de Menezes e António Patrício Pereira. Albufeira: Arandis, março 2016. – 158 p.; capa do autor e Fernando Lobo.
  • Passionário, 2016.
  • Manuel Neto dos Santos: poemas / poemas / poezii. – “Edición trilingue”; trad. de Pedro S. Sanz y Simona Ailenii. Granada: El Genio Maligno, 2016. – Col. “Juego de Espejo”, 2. – 25 p.; il. de Fernando Lobo.

Edição literária, tradução, estudos, fotobiografia

  • Poeta é o povo: colectânea de poetas populares do Alentejo e Algarve. Compil. Edmundo Falé, Manuel Netos dos Santos, Maria José Fraqueza. Lagoa: APPA, 1990.
  • As letras e as palavras: poemas / Adelina Bárbara Vieira; recolha pref. e notas de Manuel Neto dos Santos. S.l.: A. Bárbara Vieira, 1991.
  • Coração analfabeto: poesia / Adelina Bárbara Vieira; comp. e pref. Manuel Neto dos Santos. S.l.: Adelina B. V., 1994.
  • Posfácio de Raíz de lado nenhum / [José] Mendes Bota. Lagoa : Tribuna do Algarve, 1992. – Com pref. de Natália Correia. – 80 p.; il.
  • De Deus a algazarra de silêncios: vida e obra de João de Deus. Silves: Câmara Municipal, 1996. – 180 p.; capa de Vasco Célio. – Volume biográfico e de estudo do poeta e pedagogo João de Deus, começado em 1992, com a recolha de elementos biográficos, e publicado na celebração do aniversário do nascimento de João de Deus [São Bartolomeu de Messines, 1830 - Lisboa, 1896].
  • Subsídios para a história da poesia do Algarve: séc. XI-XX. Rev. Manuel Neto dos Santos, Ana Maria Linha. Silves: Voz de Silves: Gazeta de Lagoa, 2000. – 1151 p.; capa do autor. – Volume cujas e recolhas e leituras tiveram início em 1994 e cuja compilação de textos remonta ao período da presença árabe no Algarve.
  • Prefácio de Raiz perturbada ou a navegação do amor / Miguel Afonso.
  • Apresentação de A guardadora do tesouro e a vara de ouro (Angra do Heroísmo: Blu, 1998) de Eduarda Faria da Rosa, na ilha do Faial em 1999.
  • Profere palestra na Universidade de Lovaina, na Bélgica, sobre a influência da língua árabe no Português e o antropomorfismo islâmico no lirismo de autores algarvios. Fev. 2003.
  • A convite do Prof. Dr. Adel Sidarus traduz do espanhol, a obra poética de Ibn’Ammar , poeta árabe do século XI.
  • Manuel Neto dos Santos: o viandante das palavras: bio(foto)grafia. Albufeira: Arandis, 2014. – 147 p.; capa com reprod. de autorretrato em escultura de barro. Ed. comemorativa, 25 anos de edições.

Obra inédita

Nas badanas dos seus livros publicados, ou outros paratextos, o poeta revela os textos guardados na gaveta ou no baú, alguns entretanto já publicados (e que portanto não estão incluídos nesta enumeração):

“Fronteiras de Nusquama”; “Dorsos de luz de águas mais profundas”; “Noite reclinada sobre um dos ombros”; “69 Breves estudos, para um grande poema de amor”; “142 Íntimas cartas de público segredo”; “Raiz da memória, e outros poemas namorando o ouvido”; “al-Mús-Sauddat, saudade à sombra das horas e das nuvens”; “Requiem para o canto dos cisnes”; “Lago turvo para Narciso”; “Cântico Lúcido”; “Homeros”; “Pois ia, só sei que não vou por aí”; “Fescénia”; “In memoriam Arenas, Botto, Lorca”; “Deixa-me beber-te a formosura: 366 poemas de amor bissexto”; “Breves dias eternos”; “Fíbula”; “Tímida exuberância”; “Dias de fazer”.

Para saber mais

Foto do  perfil do autor no Facebook 23.12.2016 

Um belo poema!

Para al-Mutamid e Manuel Moya

Escrevo, para ouvir como se agitam as águas perante o rumor da minha voz, guardado num poço de perpétua escuridão. O meu poema é um vulto branco a arder ao sol mortiço de Outono (em pleno julho) e tudo em mim arrasta os passos, como presos agrilhoados, cumprindo a pena capital de ter nascido; Condição de poeta, por orgulho.
Escrevo, como se eu fosse pátios, fontes, arabescos precisos numa profusão geométrica a lembrar quando o sol vem incendiar o vermelho dos gerânios, para que a luz não repare em mim e eu possa ver, bem lá ao longe, o lugar de onde já fui…
Escrevo, para que os sons da noite se revelem como relâmpago azul, dilacerando o silêncio, e eu veja através da janela um céu despovoado de nuvens, e vos lembre um deserto abobadado.
Escrevo para que os versos sejam um bando de estorninhos e o voo colectivo das palavras me indique a minha própria migração; Negros, negros como tantas paisagens de brancos areais; Versos que refletem a sua viuvez na imensidão de um mar atravessado.
Escrevo, num cárcere ainda por erguer, que a vastidão da minha taifa se apresenta como a subida heroica ao topo das muralhas, testemunhando a horrenda mortandade, à sede, “no palácio das varandas” XARAJIB, como morrem as flores silvestres no Algarve em pleno agosto…
Escrevo, num naufrágio por dentro do que sou, pois a alma hoje rasteja (pele e osso) tão sedenta…com um véu de desespero que me vai escondendo o rosto.

Manuel Neto dos Santos, Círculo de fogo, 2016, p. 151.
(Nota: O texto original não apresenta parágrafos.)



15/01/2017

A escrita como experiência do incerto: a obra de Silvina Rodrigues Lopes


Bras de Seine près de Giverny (1897), por Claude Monet
Óleo sobre tela, 75 x 92,5. Paris, musée d'Orsay.






« A cet endroit de la toile, peindre ni ce qu'on voit parce qu'on ne voit plus rien, 
ni ce qu'on ne voit pas puisqu'on ne doit peindre que ce qu'on voit, 
mais peindre qu'on ne voit pas, que la défaillance de l'œil qui ne peut pas voguer sur
le brouillard lui soit infligée sur la toile comme sur la rivière, c'est bien beau. »

Evocação do quadro de Monet por Proust, 

em Jean Santeuil (1952, romance póstumo)


“Ouvir a ressonância do mar através do búzio é já sofrer a atração que moveu
poetas e navegadores, gregos e portugueses, em resposta ao apelo do desconhecido, 
que nos indica que nem tudo se resume ao já sabido.”
Silvina Rodrigues Lopes



A VIDA

Silvina Rodrigues Lopes, nasceu em Ansião, em 1950.
Professora universitária, ensaísta, crítica literária, ficcionista, poetisa, editora.


In: Colóquio “O edifício da alegria: o pensamento de Eduardo Prado Coelho”,

Org. Centro de Estudos sobre o Imaginário Literário / Observatório Político,

Lisboa, FCG, 15-16 nov. 2012 . – Texto reprod. no blogue do GILF da UNL.

Silvina Rodrigues Lopes licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), em 1980, onde concluiu o Mestrado em Literatura Portuguesa do Século XX (1985) com uma dissertação a partir da ficção de  Agustina Bessa-Luís. Doutorou-se na Universidade Nova de Lisboa (UNL) com a defesa da tese sobre O problema da legitimação em literatura (1993).

É professora catedrática de Teoria da Literatura no Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL. Dedica-se ao ensino e investigação nas áreas de teoria da literatura, estudos de literatura e literatura portuguesa do século XX, áreas em que tem orientado teses académicas, embora também intervenha e escreva no âmbito do pensamento contemporâneo e da arte.



Foi codiretora da revista Elipse: gazeta improvável (Lisboa: Relógio d'Água Editores, 1998-1999) e é cofundadora e codiretora da revista Intervalo, nascida em 2005. O editorial desta revista testemunha a assinatura de Silvina Rodrigues Lopes ao propor-se “como uma revista de pensamento da atualidade”, partindo “da convicção de que a subordinação a estratégias de sucesso e de imposição de imagens e modelos não é uma fatalidade.” E desse modo a Intervalo “não visa de modo nenhum concorrer para a acumulação de saber pronto a consumir” e  “recusa o espaço-tempo do consenso, as suas estratégias comunicativas e as suas visões totalizadoras.” (in site da Intervalo).


A sua intervenção cultural inclui a direção da editora Vendaval, cujo catálogo apresenta como proposta uma seleção de obras que faz “coexistir vários géneros” e tem “como horizonte irrepresentável a multiplicidade – nada fixo ou definido, mas aquilo que no limite da sua forma se torne infinito e assim responda ao impossível.” (do texto editorial).



Mais conhecida no meio académico, como docente e investigadora, Silvina Rodigues Lopes desde cedo é detentora de uma voz literária. Estreou-se com o texto de ficção Tão simples como isso (1985), logo seguido de E se-pára (1988). Recentemente, após um vasto e profundo percurso teórico e filosófico, aconteceu o livro de poesia Sobretudo as vozes (2004):






“Sobretudo as vozes. O que passa em campos e não é comum. Magnetiza, desvia. As palavras tornam-se infinitas, fios segregados em incontáveis relações. Formam teias que a consciência não domina. “Eu” é uma palavra para o conflito, paragem mínima em que instinto, hábito e potência criadora tocam limites, que confirmam e repudiam […] Movemo-nos na precariedade e é a ela que o amor traz os seus abismos”.






Mas é principalmente nas áreas da teoria da literatura e dos estudos de literatura portuguesa do século XX que Silvina Rodrigues Lopes apresenta uma escrita avultada. Seguramente a problemática apresentada na sua tese de doutoramento e publicada num volume com cerca de 500 páginas constitui a sua obra de referência. A Legitimação em literatura (1994), título do âmbito da teoria literária, é citado em muitas teses académicas nacionais e além fronteiras e considerado “um dos grandes livros de teoria que alguma vez foram publicados em Portugal” (António GUERREIRO). Na obra A legitimação em literatura, a autora apresenta e discute as várias formas de legitimação da teoria literária, do Iluminismo até ao Desconstrucionismo, mostrando “como a teoria foi sempre habitada por elementos desestabilizadores, por aporias e paradoxos vários que lhe deram sempre uma condição instável” (GUERREIRO, 1994). Entre os fatores constituintes do processo legitimador e fundador da instituição literária podemos destacar a formação teórica, a crítica literária, a opinião pública, os direitos de autor e a integração da disciplina de literatura no sistema de ensino (LOPES, 1994, p. 124-127).

São várias as outras obras publicadas nesta área – geralmente coletâneas constituídas por textos avulsos, inéditos ou dispersos – cujos títulos, tomados de um dos textos inclusos, são já reveladores de perspetivas e concepções do literário: Aprendizagem do incerto (1990), Literatura, defesa do atrito (2003), A anomalia poética (2005), A estranheza-em-comum (São Paulo, 2012).

Nos seus estudos de literatura portuguesa do século XX, destacamos o volume Exercícios de aproximação (2003), composto por um conjunto de ensaios sobre obras de Fernando Pessoa, Ruy Belo, Luiza Neto Jorge, Sophia, Luís Miguel Nava, Irene Lisboa, Agustina, Vergílio Ferreira e Maria Gabriela Llansol, e os extensos e notáveis ensaios dedicados às obras dos seguintes escritores:  Agustina Bessa-Luís (A alegria da comunicação, 1989; Agustina Bessa-Luís: as hipóteses do romance, 1992); Maria Gabriela Llansol (Teoria da des-possessão, 1988); Carlos de Oliveira (Carlos de Oliveira: o testemunho inadiável, 1996); Herberto Helder (A inocência do devir, 2003). Na conhecida coleção “Textos Literários” da Editorial Comunicação tem estudos, de apresentação e linhas de leitura, sobre a Mensagem de Fernando Pessoa e a Poesia de Teixeira de Pascoaes e de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Tem colaborado em diversas publicações periódicas como a Colóquio/Letras, Prelo, Românica, Scripta, Gratuita, Intervalo, entre outras.

Silvina Rodrigues Lopes também se tem dedicado à tradução, a partir da língua francesa, ao longo da sua vida de escrita, investigação e ensino. Alguns títulos: Elogio do cosmopolitismo, de Guy Scarpetta (1988), O crime perfeito, de Jean Baudrillard (1996), A obra-prima desconhecida, de Honoré de Balzac (2002) e A besta de lascaux, de  Maurice Blanchot (2003).






A OBRA




Ficção e poesia

(1985) Tão simples como isso [ficção]. Lisboa: Black Sun.
(1988) E Se-pára [ficção]. Lisboa: Hiena. – V. recensão crítica.
(2004) Sobretudo as vozes [poesia]. Lisboa: Vendaval.




Estudos de literatura portuguesa



Vitorino Nemésio

(1984) “Dos caminhos de um monstro (interrogação e felicidade da palavra em alguma poesia de Vitorino Nemésio), Colóquio/Letras, n.º 82 (1984), 28-42. – reprod. em “Des chemins d'un monstre. Interrogation et bonheur du mot dans quelques poèmes de Vitorino Nemésio”, Colóquio/Letras, n.º spécial (mars 1998), 55-71.

Agustina


  • (1985) A alegria da comunicação: dissertação a partir da leitura dos seguintes romances de Agustina Bessa Luís: Os incuráveis I e II, Efeitos guerreiros. – Tese de mestrado em Literatura. Lisboa: FLUL. – 191 f. (29cm). 
  • (1989) A alegria da comunicação. Lisboa: INCM. – 152 p.; Col. “Temas portugueses”; bibliografia, p. 135-142. – Edição da dissertação de Mestrado.
  • (1992) Agustina Bessa-Luís: as hipóteses do romance. Lisboa: Asa. – 120 p.; Col. Perspectivas actuais. – Grande prémio de ensaio Unicer/Letras & Letras 1989. / Lisboa: Asa, 2006.

Fernando Pessoa


(1984) “A ficção da memória e a inscrição do esquecimento no Livro do Desassossego", Colóquio/Letras, n.º 77 (1984), 19-26; reprod. em Aprendizagem do Incerto. Lisboa: Litoral, 1990, p. 133-142.

(1986) Mensagem / de Fernando Pessoa. Apresent. crítica e linhas de leitura de Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Comunicação. – Col. Textos Literários, 47.

(1988) “Des-figurações (sobre o Livro do Desassossego)”, Colóquio/Letras, n.º 102 (1988), 61-68; reprod. em Aprendizagem do Incerto. Lisboa: Litoral, 1990, p. 143-152.

(1990) “Deslocação e apagamento em: – Livro do Desassossego de Fernando Pessoa / Bernardo Soares – Le pas au-delà de Maurice Blanchot”, in Aprendizagem do Incerto. Lisboa: Litoral, p. 153-174.

Teixeira de Pascoaes


(1987) Poesia / de Teixeira de Pascoaes. Apresent., seleç. e linhas de leitura de Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa : Comunicação. – Col. Textos Literários, 54.

Maria Gabriela Llansol


(1988) Teoria da Des-possessão: ensaio sobre textos de Maria Gabriela Llansol. Lisboa: Black Sun. / Averno, 2013. – 120 p.

(1999) «Comunidades da excepção», posfácio a O Livro das Comunidades, Maria Gabriela Llansol, Lisboa: Relógio d’Água.

(1999) Geografia de rebeldes / Maria Gabriela Llansol. Lisboa: Relógio d'Água, 1999. – [1.º vol.]: O livro das comunidades; seguido de Apontamentos sobre a escola da rua de Namur. Posf. Silvina Rodrigues Lopes. – 120, [8] p.

Sophia de Mello Breyner Andresen

(1990) Poesia / de Sophia de Mello Breyner Andresen. Apresent. crítica, seleç. e sugestões para análise literária de Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Comunicação. – Col. Textos Literários, 59. V. recensão crítica
(1998) “[Crítica:] A linha musical do encantamento” [sobre O búzio de Cós, 1997, de Sophia], Relâmpago, n.º 2 –  O lugar da  poesia? (4/1998), 83-86.
(2004) “Sophia: a afirmação silabada”, JL – Jornal de letras, arte e ideias, Lisboa, 22.07.04, p. 11; reprod. em NetProf – Clube dos professores portugueses na Internet [http://www.netprof.pt/].

Joaquim Manuel Magalhães

(1990) "Uma vista/aberta sobre paisagens insuspeitas": ensaísmo de Joaquim Manuel Magalhães”, na secção “Notas e comentários” in Colóquio/Letras, n.º 115-116  (1990), 154-157.

Irene Lisboa

(1994) “O nome de uma cidade” [sobre Irene Lisboa], Colóquio/Letras, n.º 131 (jan. 1994), 87-96. – V. ilustração deste artigo com “O Amante” (excerto de Esta Cidade!, p. 291-323, fac-símile), em extra-texto.

Ana Hartherly

(1995) O mestre / Ana Hartherly. 3ª ed. Lisboa: Quimera. Prefácios de Silvina Rodrigues Lopes e Simone Pinto Monteiro de Oliveira; posf. da autora. – [1.ª ed., Lisboa: Arcádia, 1963. / 2.ª ed., Lisboa: Quimera, 1976. – Pref. Maria Alzira Seixo].

Carlos de Oliveira

(1996) Carlos de Oliveira: o testemunho inadiável. Sintra: Câmara Municipal.

José Correia Tavares

(1998) Leitura dos actos / José Correia Tavares. Pref. de Silvina Rodrigues Lopes. Coimbra: Minerva.

Ralph Waldo Emerson, Daniel Costa

(2000) A confiança em si / Ralph Waldo Emerson, Daniel Costa; trad. Saúl Costa; apresent. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Vendaval.

Herberto Helder


(2003) A Inocência do devir: ensaio a partir da obra de Herberto Helder. Lisboa: Vendaval. – 107, [5] p.







Ruben A.


(2004) A escrita dissidente: autobiografia de Ruben A. / Dália Dias. Pref. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Assírio & Alvim.

José Tolentino Mendonça


(2006) A noite abre meus olhos: (poesia reunida) / José Tolentino Mendonça. Posf. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Assírio & Alvim.

António Ramos Rosa


(2013) Philosophie et modernité dans l'oeuvre poétique d'António Ramos Rosa / Jorge Augusto Maximino. Préface de Silvina Rodrigues Lopes. Paris: L'Harmattan.

João Vário


(2009) Sair do paradigma da dívida – a partir da leitura de João Vário, Via Atlântica, n.º 15 – Poéticas de língua portuguesa comparativismo e contemporaneidade (jun. 2009), 243-253.

Manuel de Freitas

(2015) Sunny bar / Manuel de Freitas. Sel. Rui Pires Cabral; posf. Silvina Rodrigues Lopes. [S.l.] : Alambique [Lisboa: Europress].
(2009) “Pensar - estremecer”, in Os cantos de Maldoror: Poesias I & II / Conde de Lautréamont; Isidore Ducasse. Trad. Manuel de Freitas; pref. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Antígona. / 2.ª ed., sob o título Os cantos de Maldoror, Lisboa: Momo, 2015. – Trad. revista Manuel de Freitas; des. Ricardo Castro; texto Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Momo, 2015.

Ensaio e crítica


  • (1986) “Como quem escreve com sentimentos”, Prelo, nº 12 (jul.-set.1986), 31-35.
  • (1986) “Ficção: a realidade e o jogo”, Prelo, n.º 10 (jan.-mar. 1986), 65-70.
  • (1987) “A ficção em 1986”, Prelo, n.º 14 (jan.-mar. 1987), 13-17.
  • (1990) Aprendizagem do incerto. Lisboa: Litoral. – 234, [4] p.; Col. Estudo, 7.
  • (1990) “Alguns apontamentos sobre o ensaísmo de Eduardo Lourenço”, in Aprendizagem do Incerto. Lisboa: Litoral, 199-205; reprod. em BAPTISTA, Maria Manuel, org. (2003), Eduardo Lourenço: uma cartografia imaginária, Col. “Cadernos do Mosteiro”, n.º 9, Maia: Câmara Municipal, p. 26-30, e em BAPTISTA, Maria Manuel, org. (2004), Cartografia imaginária de Eduardo Lourenço: dos críticos. Maia: Ver o Verso, p. 37-42.
  • (1991) “No limite, a afirmação (Apontamentos de uma leitura de Donner le Temps, de Jacques Derrida” – publicado (pela primeira vez?) em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 131-136. [datado, aqui, de 1991].
  • (1993) O problema da legitimação em literatura. Texto policopiado. Tese de doutoramento em lit. Portuguesa do séc. XX. Lisboa: FCSH-UNL. – 692 p.; (30cm); bibliografia, p. 647-684.
  • 1994) A Legitimação em literatura. Lisboa: Cosmos. – 516 p. – Edição da tese de doutoramento. – Disponível online, aqui.
  • (1996) “A poesia, memória excessiva”, Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, n.º 9, Lisboa: Colibri, 155-161. – reprod. em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 47-59. [datado, aqui, de 1998].
  • (1998) “Do ensaio como pensamento experimental” – publicado (pela primeira vez?) em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 121-130. [datado, aqui, de 1998].
  • (1999) “Marcas do desespero” – publicado (pela primeira vez?) em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 61-68. [datado, aqui, de 1999].
  • (1999) “Na margem do desaparecimento” – publicado (pela primeira vez?) em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 101-120. [datado, aqui, de 1999].
  • (1999) “O Ensino da literatura como aproximação ao paradoxo”, Incidências, n.º 1, Lisboa: Colibri, 17-25. – reprod. com o título “A paradoxalidade do ensino da literatura” em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 87-99. [datado, aqui, de 1999].
  • (1999) “Poesia e ideologia” – publicado (pela primeira vez?) em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 69-74. [datado, aqui, de 1998].
  • (1999) «A forma exacta da dissipação» in Literatura e Pluralidade Cultural: Actas do III Congresso da Associação de Literatura Comparada, Lisboa: Colibri, 241-244. – Reprod. em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 75-85. [datado, aqui, de 1998].
  • (2000) “Defesa do atrito”, Relâmpago, n.º 6 – Como falar de poesia? (4/2000), 55-57. – reprod. em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 137-139. [datado, aqui, de 1999].
  • (2002) “A literatura como experiência” – publicado (pela primeira vez?) em Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012, 13-45. [datado, aqui, de 2002].
  • (2003) “Escolher pensar”, Revista Devires, Lisboa, n.º 1, Lisboa (fev. 2012). – reprod. em Caderno de Leituras, n.º 3, Belo Horizonte: Chão da Feira.
  • (2003) “A Anomalia Poética”, revista Telhados de Vidro, n.º 1 (nov. 2003), ed. Averno; reprod. na coletânea com o título deste breve ensaio: A anomalia poética. Lisboa: Vendaval, 2005. – 285 [6] p.
  • (2003) “Literatura e circunstância”, Scripta, Belo Horizonte, v. 7, n.º 13 (2.º sem. 2003), 162-171. – Texto disponível online.
  • (2003) Exercícios de aproximação. Lisboa: Vendaval. – 297, [5] p. – Sobre literatura portuguesa contemporânea.
  • (2003) Literatura, defesa do atrito. Lisboa: Vendaval. – 195, [5] p. / Reed. com o título Literatura, defesa do atrito: ensaio. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2012. – Livro disponível online.
  • (2004), “Poesia: uma decisão”, Aletria: Revista de Estudos de Literatura, vols. 10/11 – Olhar cabisbaixo: trajetos da visão no século XX (2003/2004), 72-80.
  • (2005) A anomalia poética. Lisboa: Vendaval. – 285 [6] p.

  • (2006) “Sobre-viver: o inacabado”, Românica, revista da FLUL, n.º 15 (), 139-146.
  • (2008) “A desordem imprevisível da arte”, in Arte e Poder, Lisboa: IHA – Estudos de arte contemporânea, 437-445.
  • (2008) "Divagações (sobre a arte, a poesia, a memória, a política)", in Poesia e Arte: A Arte da Poesia. Org. Helena Carvalhão Buescu e Kelly Benoudis Basílio. Lisboa: Caminho.
  • (2009) “Investigações poéticas do terror”, Dacrítica. Série Ciências da Literatura –Revista do centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho, n.º 23/3 (2009), 169-177.
  • (2009) “Pensar - estremecer”, in Os cantos de Maldoror: Poesias I & II / Conde de Lautréamont; Isidore Ducasse. Trad. Manuel de Freitas; pref. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Antígona. / 2.ª ed., sob o título Os cantos de Maldoror, Lisboa: Momo, 2015. – Trad. revista Manuel de Freitas; des. Ricardo Castro; texto Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Momo, 2015.
  • (2010) “La extrañeza en común”, Devenires XI, 22 (2010), 89-108. – Trad. em língua espanhola por Eduardo Pellejero.
  • (2011) “Como quem num dia de verão abre a porta de casa”, Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 178 (set. 2011), 9-21.
  • (2011) “Imaginário – «atenção aos degraus!»”, Cadernos do Ceil: revista multidisciplinar de estudos sobre o imaginário, Lisboa, n.º 1 - Narrativas e Mediação / Traços (2011), 28-34. – Texto disponível online.
  • (2011) “Precedências desajustadas”, in AA.VV, org. Tomás Maia, Persistência da obra: arte e política. Lisboa: Assírio & Alvim. – 128 p.
  • (2011) “[sobre o texto de Hölderlin “Num ameno azul”]”, in DUARTE, Bruno (ed.), Lógica Poética. Friedrich Hölderlin. Lisboa: Vendaval.
  • (2012) “A dança das teorias”, comunicação, in Colóquio “O edifício da alegria: o pensamento de Eduardo Prado Coelho”, Org. Centro de Estudos sobre o Imaginário Literário / Observatório Político, Lisboa, FCG, 15-16 nov. 2012 . – Reprod. no blogue do GILF da UNL.
  • (2012) A estranheza-em-comum. São Paulo: Lumme / Móbile coleção de mini-ensaios, vol. 15, 2012 ou 2016.
  • (2012) Texto lido na apresentação de Criatura 6, na Guilherme Cossoul, 28.01.2012, post no blogue da Criatura, 6.02.2012. – Texto lido na apresentação da revista de poesia Criatura, n.º 6 (nov. 2011).
  • (2013) “Jacques Derrida – políticas sem mandamento”, in Pensamento crítico contemporâneo. Org. e rev. Unipop ; coord. Bruno Peixe Dias et al; trad. Miguel Cardoso, Sónia Cardoso. Lisboa: Edições 70. – Possível reprod. escrita das sessões: “Jacques Derrida e a política da desconstrução” [24.05.2008], no Seminário de introdução: Pensamento crítico contemporâneo, Fábrica Braço de Prata, março-maio 2008, sábados das 17h-20h; e “Jacques Derrida” [6.12.2008], 2.ª ed. do seminário Pensamento crítico contemporâneo, dedicado agora ao tema Estética e Política, na Fábrica Braço de Prata, nov. 2008 a fev. 2009, sábados das 16h-19h.
  • (2014) “Evitar a última palavra”, comunicação integrada no primeiro Colóquio Arte, Crítica, Política. Org. ???. Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 20.06.2014.
  • (2015) "Da crítica na transformação do mundo", conferência integrada no ciclo de Conferências Internacionais "Crítica e Valor", Porto, Museu de Serralves, 25.06.2015.
  • (2015) “Errância, o insacrificável”, Gratuita, vol. 2, tomo I — Atlas, org. Maria Carolina Fenati, Belo Horizonte: Chão da Feira, 202-205. – Texto disponível online.
  • (2015) “A luz como meio e limite”, revista “Ípsilon” do jornal Público, 26.07.2015, p. 29; reprod. com o título (anterior subtítulo) “A pedregosa luz da poesia”, “Cultura-Ípsilon” do Público digital, 26.07.2015.

Organização de volumes (atas, homenagens, revistas...)

  • (1997) Os sentidos e o sentido: literatura e cultura portuguesas em debate: homenageando Jacinto do Prado Coelho. Org. Ana Hatherly e Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Cosmos.· 
  • (2014) Em coorg. com Sabrina SEDLMAYER, ALETRIA: Revista de Estudos de Literatura, v. 24, n.º 3 – Políticas do contemporâneo (set.-dez. 2014), Belo Horizonte: POSLIT, Faculdade de Letras da UFMG.

Entrevistas


ALMEIDA, Emília Pinto de (2012) A ironia das teorias: entrevista com Silvina Rodrigues Lopes (conduzida por Emília Pinto de Almeida), Revista de História da Arte [revista do IHA – Instituto de História da Arte da FCSH da UNL], n.º 10 – Práticas da Teoria (2012), 10-23; reprod. em Caderno de Leituras, n.º 48, Belo Horizonte: Chão da Feira, agosto 2016, 1-19.


VASCONCELOS, Mauricio Salles (2011) Poesia e teoria na era da indiferença [Entrevista a SRL], Sibila: revista de poesia e crítica literária, Ano 16, 25.02.2011.

Traduções

  • Elogio do cosmopolitismo / Guy Scarpetta. Trad. Silvina Rodrigues Lopes. [S.l.]: João Azevedo. 1988. – 272 p.
  • O crime perfeito / Jean Baudrillard. Trad. e pref. de Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Relógio d'Água, 1996.
  • A obra-prima desconhecida / Honoré de Balzac; pref. Manuel San Payo. Trad. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Vendaval, 2002.
  • A besta de lascaux / Maurice Blanchot. Trad. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Vendaval, 2003.
  • Morada: Maurice Blanchot / Jacques Derrida. Trad. Silvina Rodrigues Lopes. Lisboa: Vendaval, 2004.


BIBLIOGRAFIA PASSIVA

B

BAPTISTA, Abel Barros (1994) Recensão crítica a Agustina Bessa-Luís: as hipóteses do romance, de Silvina Rodrigues Lopes, in Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 132/133 (abr. 1994), 258-260.

BARBAS, Helena (1989) “Silvina Rodrigues Lopes - A Alegria da Comunicação”, O Independente, 19.09.1989, p. 47; reprod. na Internet, aqui.

BESSE, Maria Graciete (1989) Recensão crítica a E se-pára, de Silvina Rodrigues Lopes, in Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 109 (maio 1989), 123-124.
C
COELHO, Eduardo Prado (2005) “Riscos” [sobre a editora Vendaval], na secção “O fio do horizonte” do jornal Público digital, 16.09.2005.
F
FREITAS, Manuel de (2004), “Testemunho do abismo”, revista “Atual” do Expresso, n.º 1666, 2.10.2004, p. 57.
G

GRAÇA, Virgínia Pacheco (1994) Recensão crítica a Poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, de Silvina Rodrigues Lopes, in Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 131 (jan. 1994), 227-228.



GUERREIRO, António (1994) “A teoria instável” – [recensão crítica de: A Legitimação em Literatura, Silvina Rodrigues Lopes], Expresso, n.º 1147, 27.10.1994.



GUSMÃO, Manuel (1996), recensão crítica de: Silvina Rodrigues Lopes, A Legitimação em Literatura, Dedalus – revista da Associação Portuguesa de Literatura Comparada; dir. Maria Alzira Seixo, n.º 6, 1996.
H

Hmbf (2004) “Sobretudo as vozes” [sobre o livro de poesia de SRL], in blogue Antologia do esquecimento, 11.10.2004.



Hmbf (2006) “A anomalia poética” [sobre a coletânea homónima de SRL], in blogue Antologia do esquecimento, 19.09.2006.



Hmbf (2006) “O valor” [sobre a revista Intervalo 1], in blogue Antologia do esquecimento, 7.01.2006.

J
JORGE, Carlos J. F. (?) “Legitimação”, verbete, in E-Dicionário de Termos literários, de Carlos Ceia.
M

MAGALHÃES, Isabel Alegro de (1992) “O imprevisto na relação de Silvina Rodrigues Lopes e Agustina Bessa-Luís. (Agustina Bessa-Luís: as hipóteses do romance. Porto: Asa, 1992)”, Recensão crítica, in [?], p. 147-150.



MOURÃO, Luís (1994) Recensão crítica a A aprendizagem do incerto, de Silvina Rodrigues Lopes, in Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 131 (jan. 1994), 248-249.

N
NASCIMENTO, Eme (?) Resenha: Literatura, defesa do atrito.
R

RODRIGUES, Isabel Cristina (2004) “Graffi ti: entre a pedra e a palavra. Acerca de Sobretudo as vozes de Silvina Rodrigues Lopes”, Forma breve, Aveiro, n.º 2 (2004), 215-219.

S

SALEMA, Álvaro (1987) “Experiências no caminho [nota crítica a Tão Simples como Isso, de Silvina Rodrigues Lopes; Brinquedo Electrónico Essencial, de Manuel João Gomes]", in Colóquio/Letras, n.º 97 (maio 1987), 100.


STUDART, Júlia (2013) “Silvina Rodrigues Lopes: literatura, estranheza e atrito”, Substantivo Plural, porta, Rio Grande do Norte, Brasil, 29.07.2013.

T
TEXTANGOS (2005), “Por uma Instabilidade do Cânone? – ecensão à "Conclusão" in A legitimação em Literatura de S.R. LOPES”, in blogue “Leituras da escrita”, 26.01.2005.
V
VASCONCELOS, Mauricio Salles (2007), Sobretudo as vozes, de Silvina Rodrigues Lopes, Via Atlântica, n.º 12 – Literatura, cultura e exclusão (2007), 231-235.